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rui62nobre

Sítio escolhido para partilha de pensamentos sobre vários temas, desde o cinema, à música, lugares, opiniões e outros, sempre com elevado respeito e estima.

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Sítio escolhido para partilha de pensamentos sobre vários temas, desde o cinema, à música, lugares, opiniões e outros, sempre com elevado respeito e estima.

Era uma vez

28.01.19, Rui Nobre

 

Num certo País viviam duas irmãs, de seus nomes, Justiça e Injustiça.

Justiça dotada de uma beleza inconfundível, muitas vezes retratada de uma forma um pouco mais ousada, com um vestido que lhe deixava os ombros nus, uns seios salientes e uma coxa bem delineada, era a imagem perfeita de uma mulher de raízes Lusitanas, capaz de fazer inveja a muitas outras. Era bela, mas também podia ser implacável, pois se numa mão segurava uma balança, na outra empunhava uma espada, pronta a cair sobre as cabeças daqueles, cujo prato da balança pendia para o lado errado. Mas também carregava uma maldição. Ao lhe terem sido atribuídos todos aqueles atributos, também lhe foi retirada a visão, por isso os seus belos olhos, tinham sido substituídos por uma venda.

E, do outro lado, temos a Injustiça, a irmã que simboliza tudo o que é mau e não presta, e ao contrário da Justiça, esta tem os olhos bem abertos, capaz de utilizar os mais variados meios para poder encobrir os seus actos. É certo que, também não era tão bela como a irmã, mas era mais provocadora, fazia despertar o desejo de a ter, era mais manipuladora, mais escorregadia do que aqueles lutadores turcos que oleiam os troncos com azeite antes dos combates, não gostava de perder nenhuma causa, por isso, dava-se melhor com os poderosos ou com ambiciosos desonestos que prometiam retornos bem aliciantes. Não era de estranhar, por isso, vermos na sua lista de clientes, políticos, pessoas bem colocadas nos destinos da Nação, advogados e até, dirigentes desportivos, entre outros tantos, que contavam com a sua ajuda, e ela assim fazia, chegando ao cúmulo de permitir que a Justiça fosse violada, mais do que uma vez.

Um belo dia, um grupo de habitantes, descontentes com o que se passava, sentindo que era chegada a hora de defender a Justiça, tomou conhecimento de uma nova tecnologia que permitiria devolver a visão à mesma. Mas teve que ser feito na clandestinidade porque a Lei, uma senhora outrora justa e respeitada, para algumas situações, já estava velha e desadequada , logo facilmente manipulada pela Injustiça. Depois de tornear a Lei, lá conseguiram que a Justiça retirasse a venda e visse o que realmente se passava. Foi um momento, de emoções, inesquecível. Para a Justiça era como se tivesse nascido de novo, para os habitantes era de alegria, tudo iria mudar.

Mas a seguir à alegria veio a quase desilusão e quase impotência para resolver de uma vez, todos aqueles casos em que a Injustiça tinha ganho. Iria ser uma árdua batalha, que só poderia ser ganha com a ajuda de todos, vítimas ou não da Injustiça. Iriam todos ajudar a Justiça a ganhar a luta?

Pois bem , a resposta está em cada um de nós, habitantes deste pequeno grande País.

Texto da minha autoria, RN.